Quem trabalha com crianças em diferentes ambientes, com diversas idades, diferentes níveis sociais e diferentes histórias de vida, sabe que cada uma possui uma maneira pessoal de se relacionar com o outro e de reagir ao mundo. Embora saibamos que essas diferenças existem, esperamos, a princípio, que as regras combinadas, explicadas e até as regras subjetivas, permeie as relações.
Bom, é claro que os conflitos existem, e como educadores, acreditamos que esses momentos possam ser aproveitados para reflexões como respeito ao outro, amizade, cooperação, argumentação... Mas alguém espera que a reação de uma criança seja "usar o brinquedo para furar o olho do colega"? Ou que um adolescente ofereça em sua casa "um drink feito com água sanitária" a sua ex-namorada?
Assustador, não é? Mais assustador ainda é saber que isso foi verdade.
Mas então, o que fazer quando os adultos presentes não esperam (e nem imaginam) que isso possa acontecer? Nem sempre dá tempo de impedir...
Aí novamente volto a antiga reflexão: Quando esses comportamentos começaram a aparecer? Será que os pais nunca perceberam?
Quem se lembra do caso em que um adolescente junto de seus amigos, atirou da janela de seu quarto em um pedreiro que trabalhava na construção do prédio ao lado, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro? O adolescente disse que "foi mal, era só de onda" e a mãe dele disse: "Eu sei que meu filho não quis machucar, ele só estava tentando ver se acertava, ele não achou que fosse acertar."
Pois é, quem tem este tipo de atitude, seja criança ou adolescente, sabe que escolheu ter esta reação, mas adora a justificativa de quem tenta disfarçar para livrá-los de qualquer culpa ou responsabilidade.
Ainda aparecem os que justificam suas atitudes na reprodução da realidade que vivem em seu contexto social. Mas será que as crianças e adolescentes só imitam o tempo todo? Esquecemos de considerar que aprendemos na troca com o meio, mas ressignificamos e recriamos a realidade de modo pessoal. Por acaso reproduzimos sempre exatamente o que nossos pais fizeram? Se for assim, vou ficar no aguardo para que minhas filhas reproduzam a minha rotina e lembrem de colocar os uniformes na máquina de lavar, separando-os das roupas coloridas.
Mas não pensem que relato estes fatos com entusiasmo, considero triste ter acompanhado algumas crianças e adolescentes com este nível de transtorno de conduta. O que há em comum nestas crianças e adolescentes é a observação do uso de uma maldade intencional muito grande associada a uma frieza e capacidade extrema de manipular os pais e outros adultos a sua volta, além de prazer em ver o sofrimento.
As pessoas com transtorno de conduta não têm empatia, não tem a capacidade de sentir o sofrimento do outro e entediam-se com facilidade, precisando de emoções ‘fortes’ para que se sintam vivos. E é fácil para eles convencerem alguém a justificar para eles que sua má intenção planejada foi apenas uma brincadeira de mau gosto...
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