Os crimes praticados por crianças e adolescentes não é algo do mundo moderno. Na Antiguidade a vida da criança dependia do desejo do pai, o pai tomava a criança e ela poderia ser apenas o que o pai determinava que ela fosse, e segundo os ensinamentos e vontade do pai ela poderia ser um "mini adulto" cruel com seus servos, um trabalhador, um soldado, um escravo ou até mesmo ser enjeitada por diferentes motivos (doenças, deficiências, sexo...) e para este último caso a morte era a opção, e o uso da violência era a única tentativa para a sobrevivência. Na Idade Média o infanticídio ainda era algo disfarçadamente legitimado. Existiam dois poderes distintos: o matriarcal, exercido no seio da família, e o patriarcal, predominante na política e na organização social. No entanto, o destino das crianças também dependia da vontade paterna (direito de adoção, de renegação, de compra e venda). A criança aceita ficava aos cuidados dos parentes paternos (agnatos) e o destino dos bastardos, órfãos e abandonados era entregue aos parentes maternos, especialmente a tios e avós maternos, que faziam também o que queriam com a criança, desde aceitá-la a rejeitá-la, vendê-la e usá-la conforme suas vontades. Aí novamente a violência é o único princípio da sobrevivência em um sistema escravista. E essa situação acontecia tanto com crianças pobres quanto com crianças ricas, que por causa de disputas de herança eram entregues à própria sorte.
Vemos então que a violência infantil não é algo do Mundo Moderno. O que faz parte do Mundo Moderno é pensar sobre essas diversas faces da violência e buscar alternativas e soluções.
Marcia Jacob Vieczorek
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