quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Violência Nas Escolas. O Que Fazer? Onde Buscar Ajuda?

A violência que ocorre nas escolas de Ensino Fundamental e Médio constitui uma das sérias causas para que a educação brasileira não apresente qualidade desejada. É difícil para alunos e professores que se tornam vítimas ter “a paixão pela educação” tão primada por nosso valoroso Paulo Freire.
A ausência e desconhecimento de um eficaz sistema de controle da violência dentro e fora da escola, falta da necessária punição administrativa e/ou judicial dos alunos indisciplinados ou violentos, o abandono do aluno-vítima, entre outros fatores, somente colaboram para a existência de sérios problemas educacionais.
Ao lado da violência e da indisciplina praticadas por alunos, também se percebe a falta de políticas públicas mais consistentes e duradouras, adversas condições sociais e econômicas da comunidade infanto-juvenil, pouca participação das famílias no controle da qualidade da educação dos filhos e, o desconhecimento e má interpretação do ECA concorrem para os sérios problemas vividos pelos alunos, professores, coordenadores e diretores nas escolas brasileiras.
A reflexão vale para as escolas públicas e privadas. A violência e a indisciplina não ocorrem somente nas escolas públicas, pois em ambas existem fortes traços de violência e de indisciplina.
A partir da constatação da violência nas escolas e da necessidade de melhorar a qualidade da educação, esta reflexão possui como um dos seus objetivos
promover a discussão da temática: violência entre alunos, contra professores, vandalismo e como buscar alternativas para trabalhar na prática a busca de soluções.
Penso que já está mais do que na hora de agir e colocar em prática as várias leis que deveriam produzir efeitos na área da educação e compartilhar atuações do Ministério Público no combate e/ou controle da violência e da indisciplina.
Não pretendo descaracterizar o ambiente escolar tornando-o um reformatório. A idéia consiste em buscar um plano de ação que se adéque as diferentes realidades das escolas brasileiras em que ocorrerem os casos de violência.

É importante registrar que devemos continuar a buscar modernos métodos, técnicas e os programas de ensino que ampliem o nosso olhar sobre as especificidades dos alunos, mas não pensar que modernidade e democracia sejam sinônimos de perda de autoridade e respeito. A relação entre alunos, professores, coordenadores e diretores pode ser afetiva e colaboradora, mas isto não que dizer que os profissionais tenham que perder a função de gerenciadores deste ambiente escolar. Lembro ainda que as escolas têm autonomia, de acordo com seus regulamentos internos, na busca de soluções, no entanto, não se pode, em nome da autonomia, deixar de considerar os aspectos inerentes à violência que ocorre no ambiente escolar, fato que, evidentemente, ultrapassa o campo científico da pedagogia.
Não apenas no Brasil, mas a violência nas escolas é tema de discussões no mundo inteiro, já que  o problema não ocorre apenas em bairros ou países pobres e periféricos. Freqüentemente a UNESCO promove conferências sobre o tema, em diversos países.  Na Europa, por exemplo, não se fala mais em “cultura de paz”, mas em “educação para a cidadania”, com o o objetivo de formar alunos-cidadãos capazes de expor suas idéias de maneira pacífica.
Bem, só refletir não é o objetivo desta postagem, mas orientar sobre o que fazer. Abaixo deixo uma lista de instituições que podem oferecer ajuda, material de apoio para educadores e informações de modo geral para aprofundar a discussão e combater a violência contra crianças e jovens, dentro e fora da escola.

Instituições que oferecem apoio:

Ilanud
http://www.ilanud.org.br/
Instituto Latino-americano das Nações Unidas para Prevenção e Delito e Tratamento do Delinqüente.
Projeto COAV
http://www.coav.org.br/
Identificar a existência de crianças envolvidas em grupos armados em regiões que não estão em guerra.
Unesco
http://www.unesco.org.br/
Oferece oportunidades de acesso à cultura, esporte, arte e lazer para os jovens.

Rio de Janeiro:
Claves (Centro Latino Americano de Estudos de Violência)
http://www.claves.fiocruz.br/
Ligado à Escola Nacional de Saúde Pública, uma das unidades da Fundação Oswaldo Cruz. Foi criado em 1989 e caracteriza-se por ser interdisciplinar, interdepartamental, interinstitucional e intersetorial. O CLAVES realiza pesquisas de cunho epidemiológico e sócio-antropológico, privilegiando abordagens estratégicas em saúde. Atua articuladamente com órgãos do poder público.

Endereço: Av. Brasil, 4036 - sala 702 - Manguinhos - Rio de Janeiro - RJ.
Tel: (21) 2290.4893.
Fax: (21) 2290.4893.
E-mail: claves@claves.fiocruz.br
Movimento Viva Rio
http://www.vivario.org.br/
Com o apoio da população, o Viva Rio desenvolve campanhas de paz e projetos sociais em cinco áreas: direitos humanos e segurança pública, desenvolvimento comunitário, educação, esportes e meio ambiente.

Endereço: Rua do Russel, 76 - Glória - Rio de Janeiro - RJ.
Tel: (21) 2555-3750.
E-mail: vivario@vivario.org.br
Ong - Organização de Direitos Humanos Projeto Legal
http://www.projetolegal.org.br/
Entidade voltada para a defesa, garantia e promoção de direitos de grupos vulneráveis tais como mulheres, crianças e homossexuais, além de minorias sociais étnicas, religiosas e idiomáticas.

Endereço: Largo de São Francisco de Paula, 34 - 7° andar - Rio de Janeiro - RJ.
Tel: (21) 2507-6464.
Fax: (21) 2707-6464.
E-mail: mailto:projetolegal@projetolegal.org.br

São Paulo:
Ação Educativa
http://www.acaoeducativa.org/
A Ação Educativa é uma organização não governamental que atua nas áreas da educação e da juventude. Fundada em 1994, desenvolve projetos que envolvem formação de educadores e jovens, animação cultural, pesquisa, informação, assessoria a políticas públicas, participação em redes e outras articulações interinstitucionais.

Endereço: R. General Jardim, 660, Vila Buarque. - São Paulo - SP.
Tel: (11) 3151-2333.
E-mail: mailto:comunica@acaoeducativa.org
Educom.radio
http://www.usp.br/educomradio/
Projeto desenvolvido pela Secretaria Municipal da Educação de São Paulo em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (USP), até 2004, que tem por objetivo trabalhar questões de cidadania por meio de um veículo de comunicação.

Endereço: Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443 - SP.
Instituto Sou da Paz
http://www.soudapaz.org.br/
Instituto Sou da Paz tem como missão contribuir para a efetivação no Brasil de políticas públicas de segurança e prevenção da violência que sejam eficazes e pautadas pelos valores da democracia, da justiça social e dos direitos humanos.

Endereço: R. Luis Murat, 260 - São Paulo - SP.
Tel: (11) 3812 1333 .
E-mail: soudapaz@soudapaz.org
Núcleo de Estudos da Violência
http://www.nevusp.org/
Fundado em 1987 na Universidade de São Paulo (USP) e contando atualmente com cerca de 60 pesquisadores, busca a análise e a solução dos problemas ligados a questão da violência no país. Entre os temas pesquisados estão a impunidade penal, as políticas de segurança pública, a participação da comunidade na solução da violência e a visão da população em relação aos direitos humanos.

Endereço: Av. Professor Lúcio Martins Rodrigues, travessa 4, bloco 2 - SP.
Tel: (11) 3091-4951.
Fax: (11) 3091-4950.
Pró-menino/RISolidaria
http://www.risolidaria.org.br/index.jsp
O portal Pró-menino/RISolidaria é uma iniciativa da Fundação Telefônica que busca contribuir para a garantia dos direitos de crianças e adolescentes por meio da educação. Para isso, dissemina informações e apóia organizações governamentais e não-governamentais que lidam com esta temática, sendo a escola seu foco prioritário de atenção.
Projeto Sapopemba
Iniciativa do governo estadual paulista com o objetivo de construir uma parceria entre a comunidade e o governo para discutir assuntos de interesse comunitário, propor soluções e colocá-las em prática. Atua em conjunto com moradores e entidades que atuam no bairro de Sapopemba. São Paulo - SP.
Tel: Tel.: (11) 3745-3580 ou 3745-3581.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Confusões sobre Democracia

Diante do fato ocorrido na USP onde alunos exigiram a saída de policiais do campus, fica o nosso questionamento:
Fazer passeatas para pleitear direitos não deveria ser um ato de cidadania em prol de um bem comum, para que todas as pessoas tenham os seus direitos constitucionais assegurados contra injustiças, desigualdades, crueldades?...
Pois bem, parece que os alunos da USP confundiram a ideia da função social  de democracia com criar exigências para atender desejos individuais, e ainda desejos em exigir e manter situações transgressoras!
Será que estes alunos não perceberam o seu papel na Universidade? Esqueceram que já são adultos e podem (e devem) responder judicialmente por sua atitudes?
Parece que ainda estão se comportando como as crianças e adolescentes sem limites da escola em que frequentaram...

Segue abaixo um link com uma reportagem que nos leva a refletir sobre o que está acontecendo com nossas escolas e com nossos alunos.

http://www.facebook.com/l.php?u=http://www.youtube.com/watch?v%3D5BbNf7QXGFs%26feature%3Dplayer_embedded&h=zAQFV1j3aAQGKEvlRObgiZu7lkLKbWkeUAh0QBWrTUxy8FA

Marcia Jacob Vieczorek

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Águia no Cercado - Para refletir...

Certo dia, um camponês encontrou, no fundo de seu quintal, um ovo muito grande e cheio de pintas.   Ele tinha um bom conhecimento sobre a natureza, pois vivia em uma fazenda, mas nunca tinha visto um ovo como aquele.
  Surpreso e curioso decidiu le-lo para casa.
- Será que é um ovo de ema? - perguntou sua esposa.
- Não, não tem a mesma forma - disse o avô. - É grande demais.
- Podemos comê-lo! - propôs o filho.
- Talvez seja venenoso – refletiu o camponês. - Antes deveríamos saber que tipo de ave bota um ovo desses.
- Por que não o deixamos no ninho da perua que eschocando? Misturamos entre os outros e a perua nem vai perceber. - sugeriu a filha caçula. - Assim, quando nascer, veremos o que é...
Todos concordaram e assim foi feito. Colocaram o ovo no ninho da perua, mas logo se esqueceram do ovo lá, e nem voltaram para conferir. Acharam que agora a responsabilidade em resolver seria da perua.
Duas semanas depois, a casca se quebrou e surgiu uma ave escura, grande, agitada, que, com muita avidez, comeu tudo o que encontrou pela frente._
   Quando a comida disponível acabou, o diferente pássaro (era o que achavam dele) olhou com vivacidade para a mãe perua e disse entusiasmado: (Ah! Vamos lembrar que neste conto as aves falam!)
- o vamos sair para caçar?
- Como assim, caçar? - perguntou a mãe perua um pouco assustada.
- Como?! Voando, é claro. Vamos voar! - frisou o filhote.
A mamãe perua se surpreendeu muito com a proposta do filhote e, munida de amorosa paciência, explicou:
- Olhe, filho, os perus não voam. Você só tem essas ideias  por­que é guloso e acha que pode sair por aí procurando comida. Faz mal comer rápido e em excesso.
O galo, que é sempre o rei do terreiro, fez logo uma análise e concluiu que o melhor a fazer era fingir que este problema não existia para não valorizar demais.
Dali em diante, todas as outras aves. foram avisadas sobre o “problema” daquela avezinha e orientados a desviar o assunto. Enquanto isso, o galo especialista e a mãe passaram a lhe oferecer alimentos mais leves, sempre o incentivando a comer pouco e devagar.
     No entanto, mal ele terminava sua refeição, mesmo ainda sentindo fome, irremediavelmente costumava gritar:
     - Agora, pessoal, vamos voar um pouco!
     Todas as aves do cercado voltavam a explicar, disfarçando na verdade o medo, a raiva e a incerteza que sentiam:
   - Você não entende que os perus não voam? Mastigue bem, coma menos e esqueça essas loucuras de voar.
     A esposa do galo até pensava em procurar ajuda fora do cercado, mas o galo logo a proibiu. Afinal, poderia pegar muito mal pedir ajuda.
     O tempo passou e, à medida que crescia, o filhote falava menos sobre a vontade de voar, mas não conseguia controlar sua fome excessiva. Aquela fome o deixava nervoso porque realmente não saciava com milhos e rações. E era difícil para ele conviver com os outros filhotes, ninguém o entendia e ele não entedia ninguém. Ainda tinha a culpa de sentimentos horrorosos que ele não conseguia controlar: como pegar com suas garras e devorar aqueles filhotinhos.
      Sabe-se lá como deve ter sido difícil a vida daquele filhotinho de águia forçado a conviver em um ambiente que não atendia em nada às suas necessidades...
Ele cresceu e morreu junto dos outros perus do cercado e terminou como todos: assado na mesa do camponês, numa ceia de Natal.
      No entanto, ninguém gostou de sua carne, que era dura e não tinha sabor de peru.
     Também, pudera! Não era um peru, mas uma águia capaz de voar a 3 mil metros de altura e  de levantar uma ovelha pequena entre suas patas ...
     No entanto, morreu sem saber que o seu “problema” era um pedido de ajuda, e poderia ter sido atendido. E teria contribuído para que ele e todos os outros tivessem tido dias melhores.

Contribuição de minha grande amiga Maria Cristina, adaptado por Marcia Jacob

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O Discurso da Culpa...

Lidar com a culpa e a frustração não é fácil para ninguém, principalmente quando a realidade nos mostra que o idealizado e desejado estão um pouco distantes.
Qual mãe ainda não se desperou pensando que não dá ao seu filho a atenção que queria e que ele merecia?..
E não é pra menos; as teorias, referências, pensamentos, estudos e pesquisas sempre nos remetem à ideia da privação emocional (como em Ainsworth, que fala sobre a Privação emocional por relações insuficientes, Privação emocional por relações distorcidas e Privação emocional por relações descontínuas). É claro que não podemos desconsiderar em nenhuma hipótese a história pessoal, minha questão é sobre o exagero na atribuição de culpas usando apenas argumentos que até explicam, mas nem sempre justificam.
Culpar os pais por trabalharem, assistirem a telejornais, se separarem, tomar um choppinho, estarem cansados ou até mesmo por estarem doentes, é um pouco cruel... Deve-se observar a intensidade, a autenticidade e a continuidade da relação emocional com as figuras parentais e não apenas a quantidade e não focar o olhar apenas nesta relação.
 Até porque uma relação emocional distorcida pode ser tão prejudicial quanto a sua ausência.
Mesmo a família sendo a primeira relação emocional da criança, com o passar do tempo ela passa a não ser a única. E ainda existem crianças que desde o seu nascimento são privadas desta relação parental, e mesmo ficando uma lacuna na construção da afetividade, esta ausência não pode ser considerada a única determinante das futuras consequências. Ao longo do tempo a criança amplia as suas relações, desperta novos interesses, desejos e faz suas escolhas em um enfrentamento e reorganização de seus valores antigos e novos.
Pois bem, mesmo diante de conceitos e desejos em acertar sempre, o ideal de família onde todas as necessidades são prontamente saciadas não existe (até porque seria uma relação quase escravocrata), então só culpar a ausência desse amor é culpar o imaginário.
Muitas vezes essa relação de culpa (que às vezes é criada e legitimada) abre espaços para uma permissividade onde o que determina não é o afeto e sim a insegurança e o descontrole.
E será que a criança quer realmente seus pais grudados nelas o tempo todo?
Que criança prefere ficar jogando com sua mãe ao invés de correr e brincar com os amigos?
Brincar com os pais é legal, mas vamos ser sinceros, se tiver amigos juntos vai ficar muito mais divertido.
Em contrapartida, existem responsabilidades que penso, devem ser atribuídas às famílias, que são a omissão, o relaxamento, a conivência com o erro, as mentiras para livrar os filhos, a permissividade e a falta de autoridade, disfarçados em um discurso repetido da criação da culpa.
Muitas famílias não têm compromisso com a educação de seus filhos, preferem criar desculpas para justificar situações do que encarar e agir diante das necessidades. E algo que considero lamentável, muitas vezes essas famílias omissas usam o discurso da própria escola e de especialistas para criarem o seu próprio discurso da conveniência.


Marcia Jacob Vieczorek

Reflexos da História da Infância na Vida Adulta

Ao buscarmos compreender o que fez com que alguém se tornasse um adulto perverso, cruel, mentiroso ou deprimido, rapidamente se busca fazer a relação com sua história de vida. Não é raro vermos representado em filmes, documentários, análises de profissionais ou mesmo em relatos informais, várias citações sobre as vivências daquele adulto em sua infância e como essas experiências influenciaram na construção e formação de sua personalidade.
Isto quer dizer que, de alguma maneira, mesmo que seja instintiva ou por suposição, existe uma compreenção de que o ser humano aprende, constroi valores, recria, inventa, idealiza, experimenta, levanta hipóteses... em um processo de interação e troca com o outro e com o ambiente. Mesmo que existam em torno desta outras formas de pensar sobre a construção do ser humano, transita entre o consciente coletivo e subjetivo a ideia de que nossas experiências e vivências contribuem e influenciam em nossa formação.
Pois bem, então qual é a dificuldade em observar e encarar o problema quando ele existe na infância, se é justamente a fase em que as intervenções têm mais  maiores possibilidades de funcionarem???!!!

Experiências no âmbito da Criminologia e da Psicologia Criminal, mesmo as que restringem-se à criminalidade praticada por adultos, verificam, nas práticas profissionais penitenciárias, que essa criminalidade não raras vezes é uma extensão da delinquência infanto–juvenil, e consequentemente acabam por buscar sua análise e compreensão nas raízes da delinquência infanto–juvenil.
Então novamente volto a mesma questão (que na verdade já está virando indignação!): Qual é a dificuldade em observar e encarar o problema quando ele existe na infância, se é justamente a fase em que as intervenções têm mais  maiores possibilidades de funcionarem???!!!

Marcia Jacob Vieczorek

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tendência à psicopatia pode ser detectada, diz médica; leia trecho de livro

Mentiras frequentes, crueldade com coleguinhas e irmãos, baixíssima tolerância à frustração, ausência de culpa ou remorso e falta de constrangimento quando pegos mentindo ou em flagrante. Os pais podem ligar o sinal de alerta caso essas características comportamentais (somadas a uma série de outras, que podem ser vistas em lista abaixo) ocorram de maneira repetitiva e persistente em crianças e adolescentes. É possível que os filhos tenham "Transtorno de Conduta" e sejam candidatos à psicopatia quando tornarem-se adultos.
"Podemos observar características de psicopatia desde a infância até a vida adulta. Vale ressaltar que o diagnóstico exato só pode ser firmado por especialistas no assunto", afirma a médica psiquiatra Ana Beatriz B. Silva, autora do livro "Mentes Perigosas - O Psicopata Mora ao Lado" (Fontanar, 2008). "Além do mais, deve se atentar para a frequência e a intensidade com as quais estas características se manifestam", explica.
Leia abaixo trecho do livro "Mentes Perigosas" no qual a médica psiquiatra lista as características que podem indicar tendência à psicopatia na infância e adolescência e aponta as posturas que devem ser assumidas pelos pais.

O que os pais podem fazer?
Como já foi dito anteriormente, podemos observar características de psicopatia desde a infância até a vida adulta. Antes dos 18 anos, por uma questão de nomenclatura, o problema é chamado de Transtorno da Conduta. Crianças ou adolescentes que são francos candidatos à psicopatia possuem um padrão repetitivo e persistente que podem ser sintetizados pelas características comportamentais descritas abaixo:

Capa do livro "Mentes Perigosas", de Ana Beatriz Barbosa Silva
Capa do livro "Mentes Perigosas", de Ana Beatriz Barbosa Silva

  • Mentiras freqüentes (às vezes o tempo todo);
  • Crueldade com animais, coleguinhas, irmãos etc.;
  • Condutas desafiadoras às figuras de autoridade (pais, professores etc.);
  • Impulsividade e irresponsabilidade;
  • Baixíssima tolerância à frustração com acessos de irritabilidade ou fúria quando são contrariados;
  • Tendência a culpar os outros por seus erros cometidos;
  • Preocupação excessiva com seus próprios interesses;
  • Insensibilidade ou frieza emocional;
  • Ausência de culpa ou remorso;
  • Falta de empatia ou preocupação pelos sentimentos alheios;
  • Falta de constrangimento ou vergonha quando pegos mentindo ou em flagrante;
  • Dificuldades em manter amizades;
  • Permanência fora de casa até tarde da noite, mesmo com a proibição dos pais. Muitas vezes podem fugir e levar dias sem aparecer em casa;
  • Faltas constantes na escola sem justificativas ou no trabalho (quando mais velhos);
  • Violação às regras sociais que se constituem em atos de vandalismo como destruição de propriedades alheias ou danos ao patrimônio público;
  • Participação em fraudes (falsificação de documentos), roubos ou assaltos;
  • Sexualidade exacerbada, muitas vezes levando outras crianças ao sexo forçado;
  • Introdução precoce no mundo das drogas ou do álcool;
  • Nos casos mais graves, podem cometer homicídio.
Vale ressaltar que as características acima são apenas genéricas e que o diagnóstico exato só pode ser firmado por especialistas no assunto. Além do mais, o leitor deve se atentar para a freqüência e a intensidade com as quais estas características se manifestam.
É muito comum e até compreensível que os pais de jovens com características psicopáticas se perguntem quase sempre em um tom de desespero: "O que nós fizemos de errado para que nosso filho seja assim?". Os pais se sentem culpados por acharem que falharam na educação dos seus filhos e que não souberam impor limites. Isso é um grande equívoco! Não resta dúvida de que a educação, a estrutura familiar e o ambiente social influenciam na formação da personalidade de um indivíduo e na maneira como ele se relaciona com o mundo. No entanto, esses fatores por si só não são capazes de transformar ninguém em um psicopata.
Não obstante, é muito importante que os pais tenham conhecimento pleno sobre o assunto e que passem a reconhecer a disfunção em seus filhos, dispensando o devido valor que o problema merece. Quando em grau leve e detectada ainda precocemente, a psicopatia pode, em alguns casos, ser modulada através de uma educação mais rigorosa. Um ambiente familiar mais estruturado e com a vigilância constante de filhos "problemáticos" certamente não evita a psicopatia, mas pode inibir uma manifestação mais grave. E aí, fazer toda a diferença. É lógico que estas medidas estão longe de serem ideais, são apenas paliativas e demandam muito esforço e empenho por parte dos envolvidos na criação. No entanto, não podemos desprezá-las para salvaguardar a estrutura familiar e a sociedade como um todo. As posturas que devem ser assumidas são as seguintes:
  • Procure conhecer bem o seu filho. A maioria dos pais não sabe como ele se comporta longe dos seus olhos. Estabeleça contato com todas as pessoas do convívio dele (professores, amigos, pais dos amigos etc.). Quanto mais precocemente você identificar o problema maiores serão as chances de que ele se molde a um estilo de vida minimamente produtivo e socialmente aceito.
  • Busque ajuda profissional. Isto é válido tanto para se certificar do diagnóstico dessa criança quanto para que os pais recebam orientações de como devem agir.
  • Não permita que seu filho controle a situação. Estabeleça um programa de objetivos mínimos para obter alguns resultados positivos. Regras e limites claros são necessários para evitar as condutas de manipulação, enganos e falta de respeito com os demais. Lembre-se que uma criança com perfil psicopático apresenta um talento extraordinário em distorcer as regras estabelecidas e virar o jogo a seu favor. Por isso NÃO CEDA! Se você fraquejar, certamente ela ocupará todos os "espaços" deixados pela sua desistência.


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Conhecer Para Compreender, e Não Para Julgar

As características dos sociopatas engloba, principalmente, o desprezo pelas obrigações sociais e a falta de consideração com os sentimentos dos outros. Eles possuem um egocentrismo exageradamente patológico, emoções superficiais, teatrais e falsas, pobre ou nenhum controlo da impulsividade, baixa tolerância para frustração, baixo limiar para descarga de agressão, irresponsabilidade, falta de empatia com outros seres humanos, ausência de sentimentos de remorso e de culpa em relação ao seu comportamento.

Essas pessoas geralmente são cínicas, incapazes de manter uma relação leal e duradoura, manipuladoras, e incapazes de amar. Eles mentem exageradamente sem constrangimento ou vergonha, subestimam a insensatez das mentiras, roubam, abusam, trapaceiam, manipulam dolosamente familiares e parentes, colocam em risco a vida de outras pessoas e, decididamente, nunca são capazes de se corrigirem. Esse conjunto de caracteres faz com que os sociopatas sejam incapazes de aprender com a punição ou incapazes de modificar suas atitudes.

Quando os sociopatas descobrem que o seu teatro já está descoberto, eles são capazes de darem a falsa impressão de arrependimento, falseiam que mudarão "daqui para a frente", mas nunca serão capazes de suprimir a sua índole maldosa. Não obstante, eles são artistas na capacidade de disfarçar de forma inteligente suas características de personalidade.

Na vida social, o sociopata costuma ter um charme convincente e simpático para as outras pessoas e, não raramente, ele tem uma inteligência normal ou acima da média. Devido ao facto de não demonstrarem sintomas de outras doença mental qualquer, na década de 60 o movimento norte-americano chamado Anti-psiquiatria recomendou que os sociopatas fossem excluídos das classificações psiquiátricas. Dizia-se, na época, que a alteração do sociopata era de natureza moral e ética e, para problemas éticos, as soluções tinham que ser éticas (cadeia), não médicas.

A teatralidade e manipulação social dos sociopatas é tão convincente que poucas pessoas, após algum contacto duradouro com os sociopatas, são capazes de imaginar o seu lado negro, mau e perverso. Esses atributos os sociopatas são capazes de esconder durante toda vida. Vítimas fatais de sociopatas violentos percebem seu verdadeiro lado apenas alguns momentos antes de sua morte.

Como a psiquiatria não tem uma avaliação unicamente binária da situação, como a obstetrícia que considera as grávidas e não grávidas, a sociopatia tem vários graus, desde simplesmente os socialmente perniciosos, passando pelas personalidade odiosas, até criminosos brutais do tipo "Silêncio dos Inocentes". Muitas personalidades conhecidas no campo da política, da polícia, das finanças e das empresas podem portar o carácter sociopático. Felizmente, apenas uma parte dos sociopatas se transformam em criminosos violentos, estupradores e assassinos seriais. Parece haver um amplo consenso entre os psiquiatras que a sociopatia é intratável.

A escala de valores do sociopata é tão precária (ou inexistente) que eles próprios sociopatas se consideram predadores sociais, e geralmente sentem expressivo orgulhosos disto. Normalmente eles não têm o tipo mais comum de comportamento agressivo explícito das pessoas comuns. Eles costumam dissimular perfeitamente a intenção agressiva e violenta, normalmente atendo-se à intimidade doméstica ou agindo sorrateiramente. Trata-se, de fato, de uma agressão predatória, comumente acompanhada por excitação mínima do sistema Nervoso Autónomo (são frios) bem planeadas, intencionais e pouco emocionais.

O diagnóstico da sociopatia pode ser feito ainda na infância ou adolescência. Inicialmente ela começa com delinqüência infanto-juvenil. No DSM.IV a sociopatia da infância e adolescência é classificada como Transtorno do Comportamento Disruptivo, no subtipo Transtorno da Conduta. Na CID-10 também aparece com o nome Transtornos de Conduta e está subdivididos nos seguintes tipos:
1- Transtorno de conduta restrito ao contexto familiar;
2- Transtorno de conduta não-socializado;
3- Transtorno de conduta socializado;
4- Transtorno desafiador de oposição;
5- outros e não especificado

A característica essencial do Transtorno da Conduta é um padrão repetitivo e persistente de comportamento no qual são violados os direitos básicos dos outros ou normas ou regras sociais importantes apropriadas à idade.
O DSM-IV também subdivide o Transtorno de Conduta em alguns tipos principais:
1. a conduta agressiva, aquela capaz de causar ou mesmo ameaçar danos físicos a outras pessoas ou a animais;
2. a conduta não-agressiva, causadora de perdas ou danos a propriedades e;
3. a defraudação ou furto que reflete sérias violações de regras.

O padrão delinquencial de comportamento costuma estar presente em varias circunstâncias, tais como em casa, na escola ou comunidade e as informações necessárias à anamnése devem ser colhidas com familiares ou outros informantes, tendo em vista o facto desses indivíduos tenderem a minimizar seus problemas de conduta. Esses pacientes infantis ou adolescentes costumam exibir um comportamento de provocação, ameaça ou intimidação, traduzindo um comportamento agressivo e reações também agressivas aos outros. Não é raro que eles provoquem lutas corporais, usem alguma arma capaz de causar sério dano físico (desde pedra, canivete, pedaços de pau até armas de fogo).

Outra característica dos delinquentes é a capacidade de serem fisicamente cruéis com pessoas ou animais, de roubarem e de forçarem alguém a manter actividade sexual consigo. Desta forma, quando adolescentes, a violência física pode assumir a forma de estupro, agressão ou, em certos casos, até de homicídio. A destruição deliberada da propriedade alheia também é um aspecto característico do Transtorno de Conduta, assim como o incendiarismo, a depredação, a quebra de vidros de automóveis e o vandalismo. Mentir ou romper promessas para obter vantagens ou complacência do ambiente ou para evitar débitos ou obrigações também é frequente.

O Transtorno de Conduta (que é o sociopata infantil) frequentemente se inicia antes dos 13 anos e muitos pacientes começam o quadro permanecendo fora de casa até tarde da noite, apesar de proibições dos pais, fugindo de casa durante a noite ou outros tipos de desobediência às normas, sejam elas domésticas ou escolares. O DSM-IV é cauteloso quanto às fugas, não considerando para diagnóstico os episódios de fuga que ocorrem como consequência directa de abuso físico ou sexual contra o paciente.

Alguns autores preferem a denominação de Delinquência para o Transtorno de Conduta, muito sugestiva, apesar de pouco honrosa. As condutas provenientes deste transtorno são normalmente mais graves que as travessuras comuns das crianças e adolescentes. Legalmente o termo "delinquência" refere-se à transgressão das leis normativas de um determinado lugar por pessoa abaixo de determinada idade definida (16, 18 ou 21 anos). O mesmo acto praticado depois desta idade denomina-se crime. Percebe-se então, que o termo "delinquência" pode não completar a ideia atrelada aos Transtornos de Conduta, já que muitos actos praticados têm apenas um carácter ético, não jurídico.

A CID-10 caracteriza os Transtornos de Conduta por um padrão repetitivo e persistente de conduta anti-social, agressiva ou desafiadora. Para o diagnóstico devemos levar em conta a época do desenvolvimento da criança. Crises de birra, por exemplo, são comuns até aos 3 anos e não devem servir de base para este diagnóstico. Como exemplos de comportamentos válidos para o diagnóstico temos o seguinte:
1 - níveis excessivos de brigas;
2 - crueldade com animais;
3 - mentiras repetidas;
4 - destruição de propriedades;
5 - comportamento desafiador e;
6 - desobediência persistente.

Crianças sociopatas manifestam tendências e comportamentos que são altamente indicativos de seu distúrbio. Por exemplo, eles são aparentemente imunes a punição dos pais, e não são afectados pela dor. Nada funciona para alterar seu comportamento indesejável, e conseqüentemente os pais geralmente desistem, o que faz a situação piorar. Os sociopatas violentos mostram uma história de torturar pequenos animais quando eles eram crianças e também vandalismo, mentiras sistemáticas, roubo, agressão aos colegas da escola e desafio à autoridade dos pais e professores.

Os critérios para diagnósticos do Transtorno de Conduta infanto-juvenil do DSM-IV são os seguintes:

A. Um padrão repetitivo e persistente de comportamento no qual são violados os direitos básicos dos outros ou normas ou regras sociais importantes apropriadas à idade, manifestado pela presença de três (ou mais) dos seguintes critérios nos últimos 12 meses, com pelo menos um critério presente nos últimos 6 meses:
repetitivo e persistente de comportamento no qual são violados os direitos básicos dos outros ou normas ou regras sociais importantes apropriadas à idade, manifestado pela presença de três (ou mais) dos seguintes critérios nos últimos 12 meses, com pelo menos um critério presente nos últimos 6 meses:
Agressão a Pessoa e Animais
(1) frequentemente provoca, ameaça ou intimida outros
(2) frequentemente inicia lutas corporais
(3) utilizou uma arma capaz de causar sério dano físico a outros (por ex., bastão, tijolo, garrafa quebrada, faca, arma de fogo)
(4) foi fisicamente cruel com pessoas
(5) foi fisicamente cruel com animais
(6) roubou com confronto com a vítima (por ex., bater carteira, arrancar bolsa, extorsão, assalto à mão armada)
(7) forçou alguém a ter atividade sexual consigo
Destruição de Propriedade
(8) envolveu-se deliberadamente na provocação de incêndio com a intenção de causar sérios danos
(9) destruiu deliberadamente a propriedade alheia (diferente de provocação de incêndio)
Defraudação ou furto
(10) arrombou residência, prédio ou automóvel alheios
(11) mente com frequência para obter bens ou favores ou para evitar obrigações legais (isto é, ludibria outras pessoas)
(12) roubou objectos de valor sem confronto com a vítima (por ex., furto em lojas, mas sem arrombar e invadir; falsificação)
Sérias Violações de Regras
(13) frequentemente permanece na rua à noite, apesar de proibições dos pais, iniciando antes dos 13 anos de idade
(14) fugiu de casa à noite pelo menos duas vezes, enquanto vivia na casa dos pais ou lar adotivo (ou uma vez, sem retornar por um extenso período)
(15) frequentemente gazeteia à escola, iniciando antes dos 13 anos de idade.

B. A perturbação no comportamento causa prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, académico ou ocupacional.

C. Se o indivíduo tem 18 anos ou mais, não são satisfeitos os critérios para o Transtorno da Personalidade Anti-Social.

Conhecendo Melhor o ECA - Aprendendo Sobre Direitos e Deveres

      O ECA surgiu em um contexto histórico onde a sociedade brasileira através de luta de movimentos sociais, de profissionais e outras pessoas ligadas direta ou indiretamente com essas questões, se preocupavam com as condições e os direitos infanto juvenis no Brasil. O ECA foi criado para todas as crianças e adolescentes independente de classe social, embora na época o que era "gritante" no Brasil era a situação de crianças e adolescentes na/de rua.
     Com o tempo, as informações sobre o conteúdo desde documento foram sendo difundidas, o que não é nehum problema, o que passou a ser problema foi o mau uso e a má interpretação de seu conteúdo, que passou a servir interesses a medida que fosse conveniente para alguém.
     Passando a repetir algumas frases decoradas, o ECA circulou entre a população e instituições que aproveitavam para pleitear o que desejavam, que nem sempre era realmente o reconhecimento e a obtenção de direitos, mas sim de conveniências.
     Mas o ECA não é um instrumento de opressão, de “birra” ou de chantagem. Podemos dizer que a criancinha tem o direito de brincar garantido no ECA, mas esse princípio garantidor não deve ser utilizado para pressionar a mãe, nem impede que a mãe imponha limites, cobre tarefas e dê a correta e coerente educação.

    O direito de brincar não pode ser utilizado como uma estratégia para obter brinquedos dos adultos. Poderíamos dizer que essa criança não entendeu muito bem o objetivo do ECA.
     Lembro ainda também que todas as crianças têm o direito de brincar, de se expressar... A medida que uma criança impede que outra brinque, se expresse, aproveite a escola e etc... esta criança estará tirando o direito da outra. Você pensou nisso? No fato de que a criança que atrapalha a aula, constrange os colegas... ela está cometendo um ato contrário ao previsto no Estatuto?



    Para o ECA considera-se criança toda pessoa desde zero anos até 11 anos, 11 meses e 29 dias  isto é, 12 anos incompletos.

    Já o adolescente é toda pessoa de 12 anos completos até 17 anos, 11 meses e 29 dias  isto é, até os 18 anos incompletos.
Porque o ECA nasceu?


    O ECA nasceu para garantir que todas as crianças e adolescentes possam gozar integralmente dos direitos fundamentais que possuem. A lei define também como o poder público e a sociedade irão tratar dos direitos que a criança e o adolescente possuem (fixa a linha de ação da política de atendimento dos governos e da sociedade)
Deveres das crianças e dos adolescentes

    Fala-se que o ECA só prevê direitos e que se esqueceu de falar sobre os deveres, mas será que isso é verdade? É curioso notar que no ECA não se observa uma lista de deveres das crianças e dos adolescentes. Esse fato desencadeia uma pergunta em nossa mente: As crianças e os adolescentes não possuem deveres?
    A resposta é que as Crianças e os adolescentes não são apenas portadores de direitos, mas também de deveres. Sempre há uma contrapartida, caso contrário seria fácil demais viver em um mundo apenas repleto de direitos. As crianças e os adolescentes também possuem deveres: e são muitos!

    A primeira regra básica dos deveres é “não praticar atos que a lei brasileira considera como crime”.
   
    E tem mais: cada direito corresponde um dever.

   Explicando melhor, podemos observar que o ECA traz uma lista completa de direitos das crianças e dos adolescentes.

   Os deveres, por sua vez, não estão escritos, mas esse fato de não estar expresso não indica que eles não existam.

   Na verdade, podemos dizer que os deveres estão subentendidos por trás de cada direito, conforme registrei acima.
    Ex: Se tem o direito de ser feliz, então significa que não tem o direito de impedir que o outro seja felia. Essa é a lógica subentendida.

Marcia Jacob Vieczorek
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       Para quem interessar:      
    Produzi um texto pequeno, com alguns questionamentos e alternativas para refletir sobre a interpretação a cerca do Estatuto da Criança e do Adolescente. A linguagem é de fácil acesso para que possa ser compreendido por crianças e adolescentes.
    Se tiver interesse, entre em contato através de email que poderei encaminhar.
marcia-jacob@hotmail.com


  

 

Para desconstrair um pouco... Mas também serve para pensar.


MARCAS DE BATON NO BANHEIRO

 
Numa escola estava ocorrendo uma situação inusitada: meninas de 12 anos que usavam batom, todos os dias beijavam o espelho para remover o excesso de batom.

O diretor andava bastante aborrecido, porque o zelador tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao final do dia. Mas, como sempre, na tarde seguinte, lá estavam as mesmas marcas de batom...

Um dia o diretor juntou o bando de meninas no banheiro e explicou pacientemente que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam. Fez uma palestra de uma hora.

No dia seguinte as marcas de batom no banheiro reapareceram...

No outro dia, o diretor juntou o bando de meninas e o zelador no banheiro, e pediu ao zelador para demonstrar a dificuldade do trabalho pensando que assim sensibilizaria as meninas.
O zelador já havia percebido que as conversas de nada adiantavam e não contribuiam para conscientizar as meninas. Então imediatamente pensou em uma estratégia: pegou um pano, molhou no vaso sanitário e passou no espelho.

Nunca mais apareceram marcas no espelho!

 
Moral da história: Há professores e há educadores... e há ainda os que ensinam o que realmente se precisa aprender.

Comunicar é sempre um desafio!

Às vezes, precisamos usar métodos diferentes para alcançar certos resultados.

  

Por quê?
•Porque a bondade que nunca repreende não é bondade: é passividade.
•Porque a paciência que nunca se esgota não é paciência: é subserviência.
 
•Porque a serenidade que nunca se desmancha não é serenidade: é indiferença.
•Porque a tolerância que nunca replica não é tolerância: é imbecilidade.(Mas prefiro dizer: é permissividade!)
 
"O conhecimento a gente adquire com os mestres e os livros.
A sabedoria com a vida e com os humildes. "